quarta-feira, 6 de junho de 2012

Massa negra com funghi shimeji

Mais uma excelente opção para o jantar do dia dos namorados.
A massa negra é tradicionalmente consumida na região italiana do Vêneto. É normalmente acompanhada por molhos à base de frutos do mar, pois a combinação é perfeita no aspecto de sabor e aroma. Eu já trouxe uma receita desse tipo aqui no blog. A massa negra com salmão e até a indiquei na última sugestão de cardápio para a noite dos namorados. A intrigante cor escura é resultado da adição de "tinta de lula" (nero di seppia) aos ingredientes da massa. Essa tinta é um instrumento de defesa que o animal possui e é liberado sempre que se sente ameaçado por outros da fauna marinha. No aspecto visual, a massa negra é bem atrativa aos apreciadores da boa gastronomia, especialmente quando outros ingredientes contrastam tonalidades claras ou coloridas, caso dos frutos do mar e dos cogumelos. Lembro-me, mais uma vez, de trecho do livro tanto citado aqui nos últimos posts, de Izabel Allende, quando fala sobre o arroz negro com a tinta de lula. Diz a escritora que ele é tão erótico, que não ficaria bem servi-lo a freiras e viúvas... (ui!) A receita de hoje é daquelas que ficam prontas bem rápidas. Muito simples e divina! Fiz em um dia que estava sozinha em casa, precisando resolver o almoço bem rápido e sem muita sujeira, pois precisava voltar ao trabalho. 
Recordei dos posts afrodisíacos e dos ingredientes que utilizava. E não é que eu inventei um prato afrodisíaco sem querer! 
Costumo comprar cogumelos secos para casos assim de última hora. Basta colocá-los de molho por 20 a 30 minutos que se hidratam maravilhosamente, ficando viçosos para logo serem saboreados com azeite, manteiga, ervas, ou o que tiver na dispensa. Esse que utilizei para esta receita é o funghi shimeji. Meia hora na água. Lavá-lo bem é fundamental, pois sempre vem acompanhado de um pouco de terra. Enquanto o cogumelo está de molho você pode aquecer a água que ferverá a massa com um tablete de caldo de legumes (eu costumo usar um tablete francês, que confesso não tenho conhecimento se já há no Brasil, que é de bouquet garni. É igual aos de caldo de legumes, porém um pouco mais macio, menos salgado e mais suave). Acrescente um fio de azeite à água. Outro dia encontrei no supermercado o alho em lascas, já finamente fatiado e seco. Achei a idéia ótima! Imagine não precisar passar por minutos de tortura com aquele odor do alho! Comprei logo, claro. E deixei-o no congelador. Sempre que preciso de um tempero a base de alho corro lá e busco o meu produto devidamente pronto para uso. Claro que para algumas receitas o alho fresco é bem melhor. Mas para esta, as lasquinhas foram perfeitas!  Veja se a água já ferveu e adicione a massa para cozinhar. Confira no pacote o tempo e prove após alguns minutos para conferir se está al dente. Massa mole é o fim! Enquanto a massa cozinha, pegue uma generosa colher (das de sopa) de manteiga e derreta em uma frigideira. Adicione as lascas de alho, aproximadamente 1 colher (das de sopa) e deixe até que comece a dourar. Acrescente agora os cogumelos sem a água e frite-os rapidamente. Certa de 7 minutos. Tempere-os com pitadas de pimenta do reino e sal. Quando estiver quase no ponto, acrescente mais uma colher de manteiga para que fique bem molhadinho. Escorra o macarrão e misture-o aos cogumelos. O prato é simples, mas aromático e de sabor marcante.

Uma outra versão, um pouco menos light é com creme de leite, que diminui um pouco a beleza das cores do prato, mas, fica bem especial quanto ao sabor. Basta acrescentar 1 caixinha do creme de leite (essas comuns mesmo) à massa e aos cogumelos. Para finalizar, vale saltear pitadas de flor de sal e ervas de provence. Confesso que essa versão também ficou extraordinariamente apetitosa!
Algumas curiosidades afrodisíacas sobre esse prato: o alho, segundo a história grega, é planta sagrada, erótica, medicinal e reconstituinte. Por isso era oferecida aos atletas nas olimpíadas da Grécia. É usado como afrodisíaco há muito tempo, e a única condição, como no caso da cebola, é que ambos os amantes o comam, porque o cheiro impregna até a pele. A propósito, hoje se sabe que a substância química que causa o odor do alho também está presente nas secreções íntimas femininas (Izabel Allende)...
Já as ervas de provence, preparadas por uma mistura de manjericão, manjerona, alecrim, de segurelha, tomilho, flores de lavanda, sálvia, feno-grego e louro são uma verdadeira explosão de afrodisíacos reunidos! O feno-grego, por exemplo, é item da crendice européia. Dizem que é provocante de paixões e sonhos sensuais. O manjericão, em cultos antigos  - e, ainda hoje, no vodu do Haiti - é associado à fecundidade e à paixão. A sálvia, também de aroma penetrante, era usada pelas mulheres gregas para receber seus maridos recém-chegados das guerras para estimular a fertilidade e perpetuar a raça grega. E o louro, folha sempre utilizada para coroar os heróis romanos é símbolo da virilidade. Dica de Izabel Allende: Da próxima vez que dançar para o seu amante, enfeite-se com uma coroa dessas folhas sagradas, pois o riso também é extremamente afrodisíaco...
Bon appétit!

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